Não-Monogamia E Amor Próprio

O que a não-monogamia pode ensinar sobre amor próprio?

A não-monogamia e o poliamor não são sexualidades, nem coisas que você simplesmente “é” ou “não é”. Não-monogamia e todas as suas expressões são uma decisão que você leva pra sua vida sobre como você vai se relacionar com os outros. Da mesma forma que alguém decide não comer carne por princípios éticos, você pode decidir levar seus relacionamentos fora dos padrões monogâmicos cis-hetero-normativos e parar pra refletir mais profundamente o que singifica amor na sua vida ou o que você quer que signifique.

Essa é uma conversa bem longa que tive comigo mesma, e continuo tendo, na realidade, todos os dias. E um dos aspectos mais importantes dessa conversa pra mim nos últimos meses foi sobre o convívio, o romance, e a parceria doméstica. E isso me fez pensar sobre nosso convívio conosco mesmas e sobre amor próprio.

Aquele amor que envolve querer dividir sua rotina com uma pessoa, construir uma casa, um lar ou até mesmo uma família com essa pessoa não precisa ser excluído da não-monogamia. Esse é o tipo de relacionamento que tenho com minha parceira aqui do blog, a Clarice, e é maravilhoso sinceramente. Adoro passar esse tempo com ela, e não tem ninguém com quem eu preferia passar essa dificuldade da pandemia junto.

Mas dificuldades ainda são dificuldades, e as dificuldades exigem esforço para serem superadas. Amar minha parceira pode ser fácil e vir naturalmente pra mim, mas ainda é uma decisão. Uma decisão que eu tomo todos os dias! A decisão de dizer que a amo quando acordo, a decisão de abraçar e beijar ela em toda oportunidade, a decisão de não deixar as crises destruírem o que a gente criou e vem criado e procurar soluções práticas pra todos os problemas de surgem entre nós. Se não fosse por essas decisões, nenhum namoro, parceria doméstica ou casamento durariam por mais de 5 minutos de duas pessoas dividindo o mesmo teto. E essas decisões se concretizam em rituais: Assistir filmes e seriados juntas, jogar videogames juntas, cozinhar juntas, transar se for a pira do casal… O que isso tem a ver com amor próprio?

Recentemente eu tenho me perguntado se vale a pena me cuidar se eu vou acabar só odiando de qualquer jeito. Cuidar da minha aparência e da minha saúde mesmo. Será que faz diferença eu fazer exercícios e depilar minha perna se no final das contas eu vou continuar me achando feia e inútil? Pensando nesse aspecto do amor durante o convívio penso que sim, faz diferença.

Você é a pessoa com quem você mais convive. Você está sempre na sua própria companhia e essa companhia pode ficar muito pesada se você simplesmente se odeia. Se você é obrigada a viver com uma pessoa que você não gosta você precisa ou ir embora ou tornar essa convivência tolerável. Você não tem como ir embora de você mesma, então seu relacionamento consigo mesma precisa ser nutrido, da mesma forma que você o nutriria com outras pessoas.

No convívio conosco mesmas nós não vamos simplesmente um dia nos amar. Não sei vocês, mas pra mim não parece ter como você sentir aquela paixão inicial que faz você querer fazer tudo com aquela pessoa com você mesma, que você conhece literalmente desde o seu nascimento. Então a gente precisa criar esse amor. Felizmente ninguém nos conhece tão bem quanto nós mesmas pra saber como fazer isso.

Pra se amar você precisa primeiro decidir que quer se amar, fazer essa decisão todos os dias e realizar rituais de amor com você mesma pra provar esse amor pode existir. Eu posso não estar contente com meu corpo do jeito que ele está atualmente, mas eu ainda sinto um certo prazer em passar as mãos nas minhas pernas e elas estarem lisinhas. Então porque não me depilar simplesmente por mim mesma? Quer aprender a usar maquiagens? Tira uns minutos pra ficar experimentando, só você e o seu rosto no espelho, sem expectativas. Tá com saudade de balançar a raba numa balada? Tenta balançar em casa! Faça rituais pra cultivar o apreço pela sua própria companhia.

Acho que a principal lição da não-monogamia é compreender que nenhum dos seus relacionamentos é mais importante que os outros, e o seu relacionamento com você mesma pode ser tão importante quanto um relacionamento seu com sua parceira, namorada ou esposa.

Felicia Guerreiro

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