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Wicca Trans: Dianismo Sem Bucetismo

O que te vem à mente quando se fala sagrado feminino? Essas minas que falam disso não são aquelas feministas chatas que acham que mulher se resume a buceta e que homem trans também tem que aceitar a sacralidade da menstruação e gravidez?

E se falarem de Wicca ou Dianismo? O que te vem à mente? Provavelmente a mesma coisa, só adicionando adolescentes perdidas na internet e idosas transfóbicas com 90 anos de idade.

E eu não vou negar. É verdade que existem círculos de magia e espiritualidade “feministas” onde a transfobia e o bucetismo reinam. E mesmo que esses grupos sejam uma minoria, eles causaram muito barulho durante muitos anos no meio político e espiritual. Diante desse histórico, muita gente olha pra mim, uma moça trans/pessoa não binária que faz parte de um grupo Wicca Diânica bastante influente e antigo e pergunta, “Como????”

Se você não me conhece, oi! Meu nome é Felicia, eu sou trans, sou uma bruxa Wiccana, e sou dedicada da Tradição Diânica Nemorensis.

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A encruzilhada da bruxa adolescente

O blog da Editora Penumbra Livros recentemente publicou um texto chamado “por que odeiam o jovem místico” e ele me deixou com algumas pulgas atrás da orelha.

Primeiro pelo fato de que a pessoa que resolveu escrevê-lo não parece compreender muito bem as maneiras como misoginia e racismo reverberam em todas as faces da vida, inclusive a religiosa. E nenhum dos problemas apontados pelo texto tem como resposta satisfatória a, de fato, intolerância religiosa. Os exemplos dados são casos bem claros dos dois preconceitos citados acima.

Entretanto, qualquer pessoa com linhas de pensamentos derivadas do marxismo poderia apontar esses problemas com o texto. A questão real que me veio através deste foi: quem, realmente, odeia o jovem místico?

Acredito que o texto faça uma pergunta pertinente, mas não chega a nenhuma conclusão que não possa ser explicada melhor como racismo e/ou misoginia. E como uma bruxa que faz parte de redes sociais de bruxaria nacionais e internacionais eu quero tentar explorar ela melhor.

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She-Ra, Marvel e As Princesas Sapatão

Final de abril vai estrear o novo filme dos Vingadores, e eu até pensei em entrar no trem do hype e fazer algo relacionado aos filmes da Marvel. Mas pra que bater em cachorro morto?

Filmes da Marvel não são nada além de bons. Filmes gostosos de ver no cinema e comentar com os amigos, mas no final das contas é o mesmo filme sendo lançado 3 vezes por ano.

Capitã Marvel, entretanto, me intrigou. Não sobre o filme em si – ele é exatamente como todo mundo esperava que ele fosse – mas sobre uma outra super heroína loira consideravelmente parecida. E o produto criado para promover essa outra super heroína é muito mais interessante pra mim como crítica midiática do que a Capitã saiya-jin.

Essa super heroína é a She-Ra de She-Ra E As Princesas do Poder, desenho animado lançado em 2018 na Netflix que ganhará uma segunda temporada na mesma semana do lançamento de Vingadores: Ultimato no final desse mês.

Então como uma boa crítica interessada em trabalhos audiovisuais envolvendo super-heroínas eu vou falar sobre She-Ra e todas as suas semelhanças e diferenças com as heroínas da Marvel, do Steven Universo e dos demais trabalhos de Noelle Stevenson.

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