Arquivo da categoria: Anarco Comunismo

Não-Monogamia E Amor Próprio

O que a não-monogamia pode ensinar sobre amor próprio?

A não-monogamia e o poliamor não são sexualidades, nem coisas que você simplesmente “é” ou “não é”. Não-monogamia e todas as suas expressões são uma decisão que você leva pra sua vida sobre como você vai se relacionar com os outros. Da mesma forma que alguém decide não comer carne por princípios éticos, você pode decidir levar seus relacionamentos fora dos padrões monogâmicos cis-hetero-normativos e parar pra refletir mais profundamente o que singifica amor na sua vida ou o que você quer que signifique.

Essa é uma conversa bem longa que tive comigo mesma, e continuo tendo, na realidade, todos os dias. E um dos aspectos mais importantes dessa conversa pra mim nos últimos meses foi sobre o convívio, o romance, e a parceria doméstica. E isso me fez pensar sobre nosso convívio conosco mesmas e sobre amor próprio.

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J.K. Rowling, H.P. Lovecraft e A Morte do Autor

Lovecraft Country, Episódio 1 Temporada 1.

Depois de serem rejeitados a carona em uma estrada no meio de lugar nenhum, Atticus Freeman, um homem negro que serviu o exército americano na época da segregação, ajuda uma senhora negra a carregar suas bagagens até a cidade mais próxima.

Na estrada, a senhora questiona Atticus sobre o livro que ele estava lendo, que se tratava nada mais nada menos do que menos do que John Carter, um ex general do exército no estado de Virgina que acaba sendo levado pro espaço e acaba se tornando um guerreiro marciano.

4 minutos e 58 segundos dentro do primeiro episódio de Lovecraft Country, Jordan Peele – diretor responsável por Nós, Corra! e, claro, Lovecraft Country – usa o diálogo entre as duas personagens para fazer a pergunta que eu acredito que o resto da série tentará responder.

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Tutorial de Como Baixar Jogos de Graça

Você sabia que a Ubisoft é uma empresa comandada por predadores sexuais e abusadores psicológicos que não merecem um centavo do seu dinheiro?

Nas últimas semanas, todos os jornalistas de videogame que tem algum tipo de integridade profissional vem focando todos os seus recursos para investigar as alegações de violência física, abuso emocional e assédio sexual vindo de empregados e ex-empregados da Ubisoft, Take-Two Interactive, EA, Naughty Dog e sabe deus quem mais (sem nem falar dos crimes fiscais e de falsidade ideológica).

E nada disso é novidade, pra ser completamente sincera. A indústria do videogame é podre. Toda a cultura do videogame mainstream foi montada, desde o princípio, em cima de machismo, segregação, violência física e emocional, desrespeito aos direitos dos trabalhadores e consumidores, e, sim, abuso psicológico e sexual.

É realmente uma surpresa descobrir que uma indústria que se orgulha de pescar os jogadores mais psicologicamente vulneráveis pra arrancar todo o seu dinheiro seja liderada por abusadores e assediadores? Qualquer pessoa com 2 olhos e 1 cérebro podia ver o que tava acontecendo ali.

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Assistir Netflix E Jogar Videogame Virou Trabalho

Você consome, vive, experimenta ou decodifica mídia? Mike Rugnetta fez essa pergunta em 2016, e hoje com os anúncios de que a Netflix vai te permitir assistir o seu acervo em 1.5x a velocidade normal essa pergunta volta pra minha cabeça.

Stuart Hall argumenta que o consumo de mídia não é passivo. Experimentar arte é um processo complexo de codificação e decodificação que sempre acontece de uma decisão ativa da parte consumidora de fazer parte desse processo. Esse consumo resultará em algum subproduto – geralmente na forma de opiniões, crenças, posicionamentos, sentimentos, reflexões e outras obras de arte que a própria consumidora pode criar – sob o qual as experiências, crenças e pontos de vista do próprio consumidor terão ainda mais peso do que aquilo que o próprio autor colocou sobre a mídia que foi consumida.

Existem várias formas de consumir mídia, e, a partir desse ponto de vista, Rugnetta argumenta que o ato do que nós fazemos com mídia na verdade é uma decodificação – não um consumo – que exige todas essas experiências e decisões para criar diferentes subprodutos. Por isso pessoas diferentes podem ter leituras diferentes da mesma obra, ou uma pessoa só é capaz de ler uma obra de várias formas diferentes sem que nenhuma delas esteja inerentemente “certa” ou “errada”.

A mídia, entretanto, e as obras de arte em particular, vem sido sucateadas pelo neo liberalismo que dita que todas as faces das nossas vidas devem ser produtivas de alguma maneira. Consumo ou decodificação de arte outra hora foi prazer, mas agora é um trabalho que quase todas nós tomamos parte. E não parece haver escapatória.

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