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Não-Monogamia E Amor Próprio

O que a não-monogamia pode ensinar sobre amor próprio?

A não-monogamia e o poliamor não são sexualidades, nem coisas que você simplesmente “é” ou “não é”. Não-monogamia e todas as suas expressões são uma decisão que você leva pra sua vida sobre como você vai se relacionar com os outros. Da mesma forma que alguém decide não comer carne por princípios éticos, você pode decidir levar seus relacionamentos fora dos padrões monogâmicos cis-hetero-normativos e parar pra refletir mais profundamente o que singifica amor na sua vida ou o que você quer que signifique.

Essa é uma conversa bem longa que tive comigo mesma, e continuo tendo, na realidade, todos os dias. E um dos aspectos mais importantes dessa conversa pra mim nos últimos meses foi sobre o convívio, o romance, e a parceria doméstica. E isso me fez pensar sobre nosso convívio conosco mesmas e sobre amor próprio.

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Bem-Vinde ao FGD

Fábulas são a língua dos corações. É através das histórias, imortais e universais, que as partes mais internas das nossas almas conseguem trazer sentido e beleza para a vida e o universo ao nosso redor. Compreender as histórias desse jeito mais intrínseco, na realidade, é uma arte tão nobre quanto aquela de escrever essas histórias, pois quando decodificamos essas obras, na realidade à reescrevemos, toda vez com cada experiência de vida que acumulamos ao longo das nossas rápidas existências.

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J.K. Rowling, H.P. Lovecraft e A Morte do Autor

Lovecraft Country, Episódio 1 Temporada 1.

Depois de serem rejeitados a carona em uma estrada no meio de lugar nenhum, Atticus Freeman, um homem negro que serviu o exército americano na época da segregação, ajuda uma senhora negra a carregar suas bagagens até a cidade mais próxima.

Na estrada, a senhora questiona Atticus sobre o livro que ele estava lendo, que se tratava nada mais nada menos do que menos do que John Carter, um ex general do exército no estado de Virgina que acaba sendo levado pro espaço e acaba se tornando um guerreiro marciano.

4 minutos e 58 segundos dentro do primeiro episódio de Lovecraft Country, Jordan Peele – diretor responsável por Nós, Corra! e, claro, Lovecraft Country – usa o diálogo entre as duas personagens para fazer a pergunta que eu acredito que o resto da série tentará responder.

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Pais de Videogame e Masculinidade: Geralt e Kratos

Hoje é Yule, a noite mais longa do ano, onde o nascimento da Criança da Promessa coincide com a Caçada Selvagem de Odin.

Ano passado eu expliquei pra vocês os básicos do Yule e o que nós da Wicca celebramos no dia 21 de junho.[1] Mas pra quem não leu: Esse feriado se trata do nascimento da “Criança da Promessa”, onde celebramos as bênçãos da maternidade, da paternidade, e da união e amor familiares.

Naquele texto eu acabei expressando uma certa frustração por praticamente não existirem videogames sobre maternidade no mercado mainstream. Por outro lado, a Paternidade vem sido muito bem trabalhada nas últimas duas gerações. Parece lógico o motivo pelo qual isso acontece: A grande maioria dos desenvolvedores de videogame são homens e muitos deles hoje em dia tem filhos pequenos, e experiência pessoal suficiente com os desafios da paternidade que pode ser refletida nos seus trabalhos artísticos com exatidão.

Eu não sou pai nem mãe. Pretendo ter filhas algum dia na minha vida, mas eu estou muito longe da maturidade emocional e da condição financeira social para realmente criar uma criança. Entretanto, eu sou filha, já fui filho, e eu tenho pensando muito em como a relação com meu pai poderia ter sido diferente e mais sadia se ele visse os exemplos de pais que eu vejo nos videogames hoje em dia.

Spoilers de God of War III e God of War (2018) a frente.

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Naughty Dog e o Fascínio Com A Morte

Você já ouviu falar num livro chamado O Diário de Turner?

É horrível. Se você não leu ainda, considere-se abençoada. Esse livro vem sido usado como inspiração para ataques terroristas da extrema direita desde os anos 90 nos Estados Unidos, e é um resumo extremamente sucinto do que a essa visão política considera uma utopia, e o que é justo de ser feito para atingir essa utopia.

Tem resumos bem curtos e diretos sobre ele na internet [1] e esses resumos são todo o engajamento que você vai precisar ter com esse livro na sua vida inteira.

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