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Wicca Trans: Dianismo Sem Bucetismo

O que te vem à mente quando se fala sagrado feminino? Essas minas que falam disso não são aquelas feministas chatas que acham que mulher se resume a buceta e que homem trans também tem que aceitar a sacralidade da menstruação e gravidez?

E se falarem de Wicca ou Dianismo? O que te vem à mente? Provavelmente a mesma coisa, só adicionando adolescentes perdidas na internet e idosas transfóbicas com 90 anos de idade.

E eu não vou negar. É verdade que existem círculos de magia e espiritualidade “feministas” onde a transfobia e o bucetismo reinam. E mesmo que esses grupos sejam uma minoria, eles causaram muito barulho durante muitos anos no meio político e espiritual. Diante desse histórico, muita gente olha pra mim, uma moça trans/pessoa não binária que faz parte de um grupo Wicca Diânica bastante influente e antigo e pergunta, “Como????”

Se você não me conhece, oi! Meu nome é Felicia, eu sou trans, sou uma bruxa Wiccana, e sou dedicada da Tradição Diânica Nemorensis.

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J.K. Rowling, H.P. Lovecraft e A Morte do Autor

Lovecraft Country, Episódio 1 Temporada 1.

Depois de serem rejeitados a carona em uma estrada no meio de lugar nenhum, Atticus Freeman, um homem negro que serviu o exército americano na época da segregação, ajuda uma senhora negra a carregar suas bagagens até a cidade mais próxima.

Na estrada, a senhora questiona Atticus sobre o livro que ele estava lendo, que se tratava nada mais nada menos do que menos do que John Carter, um ex general do exército no estado de Virgina que acaba sendo levado pro espaço e acaba se tornando um guerreiro marciano.

4 minutos e 58 segundos dentro do primeiro episódio de Lovecraft Country, Jordan Peele – diretor responsável por Nós, Corra! e, claro, Lovecraft Country – usa o diálogo entre as duas personagens para fazer a pergunta que eu acredito que o resto da série tentará responder.

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Travestis Primaveris jogando Õkami no Imbolc de 2019

Dia 1 de Agosto, a última quinta-feira, foi o Imbolc de 2019 no hemisfério Sul. E como eu tenho feito desde o último solstício venho aqui fazer um pequeno trabalho de magia cibernética para conectar o blog com as energias da Roda do Ano. Só que dessa vez eu cheguei um pouquinho tarde porque tinha algumas outras coisinhas pra resolver antes no meu Imbolc. Tipo limpar a casa e me livrar de coisas que ex namoradas deixaram dentro do meu coraçãozinho me COMENDO VIVA.

É. É disso que Imbolc se trata. O inverno acabou e agora é hora de tirar toda essa lama do jardim e tirar as carcaças dos bichos que morreram no último inverno pra primavera poder vir.

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Lughnasadh 2019, Donkey Kong 64 & Visibilidade Trans

Sabe quando você está jogando um RPG medieval qualquer, e aí você chega num vilarejo aleatório e está tendo um “festival da colheita” cheio de jogos, brincadeiras, e quitutes deliciosos? Mas, principalmente, um campeonato que suas personagens provavelmente vão ser obrigadas a participar?

Talvez a sua narradora não saiba, mas isso provavelmente foi baseado numa celebração que os antigos irlandeses chamariam de Lughnasadh, que ainda acontece tradicionalmente no dia 1 de Agosto na Irlanda e outros lugares que herdaram essa cultura no hemisfério norte, ou no dia 2 de Fevereiro para neo pagãs do hemisfério sul.

E o Lughnasadh foi bastante especial esse ano, graças a Donkey Kong 64, sereias e um certo menino que adora soja.

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Eu Sou Um Produto – diar.pt2

Sabem como eu tava planejando terminar o hiato do blog? Com um post sobre a ContraPoints, e consequentemente, sobre a Natalie Wynn, e fazer alguns comentários sobre o que a morte do autor significa na era do youtube. Mas com toda a minha paranoia sobre privacidade e objetificação (descrita aqui, leia antes de prosseguir, por favor), eu não acho mais que eu tenho qualquer direito de me meter no trabalho da Natalie. Porque ser uma mulher trans na internet…

Não.

Ser uma mulher trans em público é uma bosta.

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