Não-Monogamia E Amor Próprio

O que a não-monogamia pode ensinar sobre amor próprio?

A não-monogamia e o poliamor não são sexualidades, nem coisas que você simplesmente “é” ou “não é”. Não-monogamia e todas as suas expressões são uma decisão que você leva pra sua vida sobre como você vai se relacionar com os outros. Da mesma forma que alguém decide não comer carne por princípios éticos, você pode decidir levar seus relacionamentos fora dos padrões monogâmicos cis-hetero-normativos e parar pra refletir mais profundamente o que singifica amor na sua vida ou o que você quer que signifique.

Essa é uma conversa bem longa que tive comigo mesma, e continuo tendo, na realidade, todos os dias. E um dos aspectos mais importantes dessa conversa pra mim nos últimos meses foi sobre o convívio, o romance, e a parceria doméstica. E isso me fez pensar sobre nosso convívio conosco mesmas e sobre amor próprio.

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Wicca Trans: Dianismo Sem Bucetismo

O que te vem à mente quando se fala sagrado feminino? Essas minas que falam disso não são aquelas feministas chatas que acham que mulher se resume a buceta e que homem trans também tem que aceitar a sacralidade da menstruação e gravidez?

E se falarem de Wicca ou Dianismo? O que te vem à mente? Provavelmente a mesma coisa, só adicionando adolescentes perdidas na internet e idosas transfóbicas com 90 anos de idade.

E eu não vou negar. É verdade que existem círculos de magia e espiritualidade “feministas” onde a transfobia e o bucetismo reinam. E mesmo que esses grupos sejam uma minoria, eles causaram muito barulho durante muitos anos no meio político e espiritual. Diante desse histórico, muita gente olha pra mim, uma moça trans/pessoa não binária que faz parte de um grupo Wicca Diânica bastante influente e antigo e pergunta, “Como????”

Se você não me conhece, oi! Meu nome é Felicia, eu sou trans, sou uma bruxa Wiccana, e sou dedicada da Tradição Diânica Nemorensis.

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Bem-Vinde ao FGD

Fábulas são a língua dos corações. É através das histórias, imortais e universais, que as partes mais internas das nossas almas conseguem trazer sentido e beleza para a vida e o universo ao nosso redor. Compreender as histórias desse jeito mais intrínseco, na realidade, é uma arte tão nobre quanto aquela de escrever essas histórias, pois quando decodificamos essas obras, na realidade à reescrevemos, toda vez com cada experiência de vida que acumulamos ao longo das nossas rápidas existências.

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J.K. Rowling, H.P. Lovecraft e A Morte do Autor

Lovecraft Country, Episódio 1 Temporada 1.

Depois de serem rejeitados a carona em uma estrada no meio de lugar nenhum, Atticus Freeman, um homem negro que serviu o exército americano na época da segregação, ajuda uma senhora negra a carregar suas bagagens até a cidade mais próxima.

Na estrada, a senhora questiona Atticus sobre o livro que ele estava lendo, que se tratava nada mais nada menos do que menos do que John Carter, um ex general do exército no estado de Virgina que acaba sendo levado pro espaço e acaba se tornando um guerreiro marciano.

4 minutos e 58 segundos dentro do primeiro episódio de Lovecraft Country, Jordan Peele – diretor responsável por Nós, Corra! e, claro, Lovecraft Country – usa o diálogo entre as duas personagens para fazer a pergunta que eu acredito que o resto da série tentará responder.

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Resenha: Ever Forward

Pode-se dizer que existem 2 tipos de jogos de Puzzle. Por um lado temos jogos como Tetris e Bejeweled: Jogos completamente abstratos onde você é recompensado com pontos ou power ups por fazer as combinações certas ou resolver problemas lógicos sem qualquer aplicação real. Às vezes esses tem uma pequena narrativa pra ilustrar as ações do jogo como algo menos abstrato, mas geralmente elas não são algo realmente necessário pros puzzles fazerem sentido, como em Puzzle Quest e Sushi Strike.

E por outro, temos jogos como Portal e Brothers: A Tale of Two Sons onde os puzzles servem de maneira direta à narrativa, e a narrativa serve de maneira direta aos quebra cabeças criando uma experiência emocional completa.

Eu acredito que o segundo tipo de jogo de puzzle é consideravelmente mais difícil de produzir. Um nível avançado de compreensão das técnicas de metalinguagem dos videogames é necessário pra que o jogo se torne uma experiência coesa, e eu acredito que Ever Forward é o melhor exemplo possível do que NÃO fazer quando se está desenvolvendo um jogo de puzzle narrativo.

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